Museu Júlio de Castilhos

Sejam bem vindos!

O Museu Júlio de Castilhos foi um presente que chegou para mim através do meu mestrado na Geociências. da UFRGS em 2004, Foi um dos meus estudos de caso, o qual propunha a investigação dos mecanismos de degradação das rochas utilizadas na arquitetura e suas patologias.

Edificado em 1877 pelo engenheiro militar Catão Roxo, o edifício é um dos poucos exemplares da arquitetura residencial urbana do final do século XIX. Com sua fachada em arenito e granito, ambos provenientes das cercanias de Porto Alegre, a fachada  nos mostra o efeito dos processos intempéricos sobre este material ao longo dos seus 140 anos de existência.

Para que pudesse entender o que estava levando a fachada a se decompor por desintegração dos seus arenitos, foram recolhidas amostras e submetidas a análises para caracterização do material.

Afinal não se pode sugerir uma solução correta para um problema o qual se desconhece os mecanismos de atuação.

As análises petrográficas realizadas no Departamento de Mineralogia e Petrologia da UFRGS indicaram uma composição arcoseana rica em quartzo, ocorrendo ainda plagioclásio, microclínio e subordinadamente, minerais opacos. Os grãos estão envoltos em uma fina película de óxido de ferro, sobre o qual depositou-se uma notável franja de cimento silicoso. Os poros, ainda existentes são finalmente preenchidos por argilo-minerais, principalmente ilita. O alto grau de compactação e diagênese são responsáveis pela alta coesão da rocha e pela sua capacidade de utilização como rocha de revestimento. As feições petrográficas (textura e composição mineralógica) são indicativas que os arenitos utilizados na fachada do museu correspondente aos arenitos da Formação Botucatu.

As considerações acima são resultantes das análises feitas pelo geólogo e meu orientador no mestrado o Geólogo PhD Ruy Phillip.

Agora traduzindo para nós reles mortais:

Os arenitos  basicamente, são formados por grãos de quartzo cimentados entre si por material argiloso ou silicoso. Por serem um material natural, não são uniformes , portanto sua composição pode variar. No caso da fachada do Museu Júlio de Castilhos, temos a predominância do tipo de arenito formado por grãos de quartzo cimentados entre si por material silicoso. E isso é ótimo. Pois este é muito mais resistente do que aquele cimentado por argilo mineral. Ficou curioso? Dá uma consultada na Escala de Goldich e na série de Bowen.

Além das análises petrográficas as amostras foram submetidas a ensaios de difratometria de raios-X .

Assim como nós precisamos nos submeter a uma bateria de exames para termos o diagnóstico de uma doença, os arenitos do Museu Júlio de Castilhos também. Pois só com o diagnóstico correto podemos dar o remédio certo.

No próximo post o diagnóstico da fachada do Museu J.C.

Até lá!

Verônica Di Benedetti

 

 

 

 

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