Vasco Prado

 

antes e depois
Figura 1 – seleção de fotos das diferentes fases e detalhes do trabalho de restauração. Fonte: acervo da autora

Sejam bem vindos!

O ano de 2018 me trouxe um presente. A oportunidade de trabalhar novamente com o Painel “Moisés Conduzindo seu Povo pelo Deserto” do artista plástico Vasco Prado.

Instalado na fachada principal do Colégio Israelita, em Porto Alegre/RS em 1955, a obra  ilustra a cena do patriarca hebreu conduzindo seu povo através do deserto à Terra Prometida. Concebida em argamassa de cimento, o relevo “foi modelado em barro e fundido em gesso e depois em cimento” (ALVES, 2004,p.166). De excelente qualidade técnica o relevo mantém-se em bom estado de conservação apesar de sua localização.

Instalado há 7 metros de altura junto a avenida Protásio Alves, via de intenso fluxo de veículos automotores pesados, o painel sofre as consequências do contato direto com a emissão dos combustíveis fósseis.

A intensidade da ação dos poluentes atmosféricos sobre o estado de conservação da obra deve-se principalmente, a três fatores: características intrínsecas da obra, localização física e geográfica.

Características intrínsecas

O painel relevado em argamassa de cimento, trabalha muito bem os cheios e vazios da obra, conferindo a obra movimento e fluidez. No entanto, suas saliências e reentrâncias contribuem preponderantemente, para o acúmulo de material particulado. Os poluentes atmosféricos contém substâncias que quando em contato com a água, seja líquida , seja pela umidade do ar, reagem gerando compostos de caráter ácido. Estas soluções ácidas penetram no material reagindo com seus materiais constituintes causando dissoluções.

Locais onde a água da chuva percorre lavando a superfície, causam menos danos do que àqueles em que o material particulado fica depositado em camadas sucessivas não recebendo a lavagem corrente. Nestes locais ocorrem patologias extremamente danosa  peça. A ela damos o nome de crosta negra.

Sua remoção  exige cautela uma vez que o substrato (obra de arte) encontra-se fragilizada, pois boa parte de seus minerais constituintes migraram para a superfície do material criando uma camada espessa e rígida (gesso anidro)  que numa tentativa de remoção pode levar junto parte da obra de arte.

Localização física

Sua localização junto à avenida de intenso tráfego de veículos favorece a quantidade e variedade dos poluentes presentes na atmosfera. Grande quantidade de material particulado é despejado no ar ao longo de todo o dia, vindo a depositar sobre o relevo. Sua posição em área mais elevada contribui para que a concentração destes seja maior em relação à objetos que estejam mais próximos ao solo.

Patologias

O mecanismo de degradação apresentado acima acabou por gerar eflorescências salinas e crosta negra. O painel apresentava ainda fissuras e rachaduras que foram corrigidas.

Considerações finais

Esta restauração foi a segunda intervenção conservativa realizada no painel nos últimos 20 anos.

Ações de conservação periódicas contribuirão ainda mais para sua preservação, pois como tivemos a oportunidade de realizar as duas intervenções, conseguimos constatar o avanço do tempo sobre a peça e sua necessidade de atenção.

Nos resta parabenizar e agradecer ao Colégio Israelita de Porto Alegre, detentor da obra, pela preocupação com tão expressivo patrimônio.


Ficha Técnica:

Cliente: Colégio Israelita

Local: Porto Alegre/RS

Data: janeiro/2018

Equipe:

Arquiteta Restauradora Verônica Di Benedetti

Artista Plástico Luiz Henrique Mayer

Andaimes: Estal Andaimes

 

 

 

 

 

 

 

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